Você já viu um anúncio suspeito no Facebook ou no Instagram — e algum tempo depois foi vítima de um golpe? Pois saiba: a Meta sabe que isso acontece. E continua cobrando para exibir esses anúncios.
Não é especulação. Em novembro de 2025, a agência de notícias Reuters teve acesso a documentos internos da própria empresa que revelaram algo chocante.
Quanto a Meta ganha com fraudes?
Segundo os documentos obtidos pela Reuters e reportados pelo Mediatalks/UOL (novembro de 2025), em 2024:
• 10% de todo o faturamento da Meta — cerca de US$ 16 bilhões — vieram de anúncios fraudulentos relacionados a golpes ou à venda de produtos proibidos.
• US$ 7 bilhões desse total vêm de anúncios classificados pela própria Meta como “de golpe de maior risco” — ou seja, aqueles com sinais claros de fraude.
• 15 bilhões de anúncios com alto risco de golpe são exibidos para usuários das plataformas da Meta todos os dias.
E o mais grave: a Meta só remove um anúncio quando seus sistemas automatizados identificam 95% ou mais de certeza de fraude. Abaixo disso, o anúncio continua no ar. Quando a plataforma suspeita, mas não tem “certeza suficiente”, ela simplesmente cobra uma taxa maior do anunciante — e mantém o conteúdo sendo exibido.
Fonte: Reuters / Mediatalks-UOL, novembro de 2025.
O que dizem as pesquisas independentes?
A Reuters não está sozinha. Pesquisadores e institutos brasileiros chegaram às mesmas conclusões:
1. Estudo do NetLab/UFRJ (fevereiro de 2025)
O Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), monitorou as plataformas da Meta entre 10 e 21 de janeiro de 2025 e identificou 151 anunciantes que compartilharam 1.770 anúncios com conteúdo malicioso, além de 87 sites fraudulentos para os quais as vítimas eram redirecionadas.
A conclusão do estudo é direta: as ferramentas de marketing da Meta permitem o direcionamento de anúncios fraudulentos para públicos segmentados com base em dados pessoais dos usuários. Em outras palavras: os golpistas usam os dados que você forneceu à Meta para escolher suas vítimas com mais precisão.
Fonte: NetLab/UFRJ, reportado pela Agência Brasil, fevereiro de 2025.
2. Projeto “Impactos da Desinformação Digital na Saúde” — NetLab/UFRJ e CNPq (2025)
Entre abril e maio de 2025, os mesmos pesquisadores coletaram quase 170 mil anúncios com termos relacionados à saúde veiculados no Facebook e no Instagram. Da amostra analisada manualmente — 6.579 anúncios —, 76% eram fraudulentos. Em 85% dos casos, um único clique já redirecionava a vítima para o WhatsApp, onde golpistas pressionavam para fechar a “compra”.
Fonte: NetLab/UFRJ — Projeto financiado pelo CNPq, divulgado em dezembro de 2025.
3. Pesquisa Branddi (setembro de 2025)
Um estudo da empresa Branddi, com 500 consumidores entrevistados em todo o Brasil, revelou que 82% já se depararam com alguma tentativa de fraude digital. Desses casos, 45% envolveram anúncios falsos no Facebook e no Instagram. Sete em cada dez brasileiros já desistiram de uma compra online por medo de cair em golpes.
Fonte: Branddi / Forbes Brasil, setembro de 2025.
4. Relatório Global da TransUnion (2025)
O Relatório Semestral Global de Tendências de Fraude Omnichannel da TransUnion apontou que 40% dos brasileiros já foram alvo de fraudes por canais digitais, com perdas médias de R$ 6.311 por vítima. A taxa de fraude digital do Brasil foi de 5,4% em 2024 — acima da média global.
Fonte: TransUnion / Agência Brasil, junho de 2025.
5. Silverguard / SOS Golpe (2024)
Um levantamento da empresa de tecnologia Silverguard, com base nos registros da plataforma SOS Golpe, identificou que 79,3% dos golpes financeiros no Brasil tiveram origem nas plataformas da Meta: 39% pelo WhatsApp, 22,6% pelo Instagram e 17,7% pelo Facebook.
Fonte: Silverguard/SOS Golpe, 2024 — citado pelo NetLab/UFRJ.
6. Instituto Datafolha (2024)
Uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 2024 estimou que fraudes baseadas em Pix e boletos bancários causam um prejuízo de R$ 25,5 bilhões por ano aos consumidores brasileiros — sendo as redes sociais o principal canal de captação de vítimas.
Fonte: Datafolha, 2024 — citado pelo NetLab/UFRJ.
Como o golpe funciona no Facebook e no Instagram?
O caminho percorrido pelo golpista dentro das plataformas da Meta segue sempre o mesmo roteiro:
• O golpista cria um anúncio pago no Facebook ou Instagram, imitando marcas conhecidas, bancos, órgãos do governo ou personalidades públicas.
• A Meta aprova o anúncio e cobra para exibi-lo, segmentando o público-alvo com base nos dados pessoais dos usuários: idade, renda estimada, comportamento de navegação, localização.
• A vítima clica, acreditando ser uma oferta legítima, e é redirecionada para um site falso ou diretamente ao WhatsApp.
• A Meta continua lucrando, mesmo quando o anúncio apresenta indícios claros de fraude.
⚠️O mais grave: ao usar os dados pessoais dos usuários para segmentar esses anúncios, a Meta transforma sua própria ferramenta de publicidade em cúmplice dos golpistas. Quem paga por isso são os consumidores — especialmente os mais vulneráveis: idosos, desempregados, pessoas endividadas.
O que o Instituto Defesa Coletiva está fazendo?
O Instituto Defesa Coletiva ajuizou Ação Civil Pública perante a 32ª Vara Cível de Belo Horizonte com diversos pedidos, sendo os principais:
- R$ 1,5 bilhão em indenização por danos morais coletivos aos consumidores brasileiros prejudicados;
- Indenização aos consumidores que foram vítimas dos anúncios fraudulentos veiculados nas plataformas da empresa;
- Responsabilização formal da Meta pela falha sistemática no controle dos anúncios veiculados em suas plataformas;
- Criação de mecanismos técnicos obrigatórios para identificar e bloquear anúncios fraudulentos antes que sejam exibidos;
- Proibição do uso de dados pessoais para segmentar anúncios com características fraudulentas.
Esta é a terceira grande ação do Instituto contra a Meta. Em junho de 2025, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais já condenou a empresa a pagar R$ 40 milhões em danos morais coletivos e R$ 10 mil por usuário pelos vazamentos de dados ocorridos em 2018 e 2019 — demonstrando um padrão sistemático de descaso com a segurança dos consumidores brasileiros.
A força da ação coletiva: mobilização que muda a realidade
Uma ação coletiva não é só um processo: é um instrumento de transformação social. Quanto mais consumidores participam, mais provas chegam ao juiz — e maiores as chances de responsabilização efetiva.
Se você foi vítima de um golpe originado por anúncio no Facebook ou Instagram, ou se quer contribuir para que essas práticas abusivas sejam punidas, o Instituto Defesa Coletiva precisa de você.
Contribua com a sua denúncia
Contribua com a sua denúncia para aumentarmos as chances de sucesso da ação.
Perguntas frequentes
Preciso de advogado para participar da ação?
Não. A ação coletiva é ajuizada pelo Instituto e representa todos os consumidores afetados. Basta se associar gratuitamente para acompanhar o andamento da ação.
Já existe uma condenação da Meta no Brasil?
Sim. O Instituto Defesa Coletiva conseguiu uma vitória no TJMG, com uma condenação histórica da empresa por vazamentos de dados que ocorreram em 2018. A ação sobre anúncios fraudulentos tramita separadamente.
Quanto tempo leva para receber alguma indenização?
A ação sobre anúncios fraudulentos ainda está em curso. Não há prazo definido para pagamento. Desconfie de qualquer pessoa que prometa agilizar o recebimento — isso é golpe.
Como faço para denunciar?
Associe-se gratuitamente e envie seu relato pelo canal oficial. Sua denúncia será apresentada ao juiz como mais um indício da conduta irregular da empresa.
O Instituto cobra algum valor?
Não. A associação e o acompanhamento das ações coletivas são totalmente gratuitos. A adesão é facultativa — você pode acessar seus direitos por outros meios, como pela contratação de um advogado.
Como acompanhar o andamento da ação?
Acesse a página de ações coletivas.