Educação Financeira e Empreendedorismo Feminino na Terceira Idade - Belo Horizonte
O projeto integra educação financeira e empreendedorismo feminino com economia criativa e linguagens artísticas, com destaque para uma oficina de empreendedorismo mediada pela arte de bordar.
Realizado em Parceria com a rede socioassistencial de Belo Horizonte (BH), o projeto utiliza a arte de bordar como ferramenta de aprendizagem: enquanto as participantes criam, compartilham memórias e produzem peças simbólicas, elas desenvolvem, de forma acessível e coletiva, competências de autonomia, organização financeira, precificação, comunicação e valorização da própria autoria. O objetivo é fortalecer protagonismo, autoconfiança e possibilidades reais de geração de renda na maturidade.
Escala e abrangência
- Formato: 7 encontros semanais com cada turma
- Público-alvo: aproximadamente 45 mulheres idosas por turma
- Turmas: 10
- Territórios: 7 regionais do município
- Rede socioassistencial: 14 Centros de Referência da Assistência Social (CRAS)
- Eventos anuais no Teatro, os quais celebram a convivência, a criatividade e a expressão artística. As participantes expõem suas produções de bordado, revisam os conceitos aprendidos, assistem peças teatrais e participam de espetáculos de dança, tanto como espectadoras quanto como performers
O que acontece na prática
O percurso formativo foi desenhado para ser prático, acolhedor e intergeracionalmente sensível, combinando:
- Educação financeira aplicada (organização do dinheiro, escolhas conscientes, prevenção de endividamento e proteção contra golpes)
- Empreendedorismo feminino na terceira idade e economia criativa (autonomia, geração de renda, valor do trabalho e autoria)
- Oficina mediada pela arte de bordar: criação, identidade, transformação em produto e narrativa
- Vivências artísticas e culturais integradas ao processo (apresentação teatral e oficina musical criativa)
- Convivência e cuidado: momentos de partilha e lanche
- Culminância/mostra: valorização pública dos processos e produções
“Em uma organização liderada por mulheres, não poderia ser diferente: nossa atenção se voltou naturalmente para as questões do mercado de consumo que impactam os direitos e garantias fundamentais de público feminino.
Estamos comprometidas em transformar realidades e, nesse projeto, dedicamos esforços para fortalecer a autonomia financeira e pessoal das mulheres da terceira idade.”
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Por que este projeto é necessário?
Porque autonomia financeira também é dignidade e recomeço
Em Belo Horizonte, em cada regional, há mulheres que carregam décadas de história no corpo e nas mãos. Muitas passaram a vida cuidando de outras pessoas, sustentando famílias, atravessando perdas e reinícios e, ainda assim, quando chegam à terceira idade, nem sempre encontram espaço para serem vistas como protagonistas. Este projeto nasce para afirmar o óbvio e o urgente: mulheres idosas são potência de vida, de criação e de renda.
Porque o Brasil envelhece sob pressão econômica
A terceira idade enfrenta um cenário de contas apertadas, crédito fácil, como o consignado, e decisões financeiras sem orientação adequada. Dados recentes da Serasa Experian, citados pelo Jornal da USP, revelam mais de 14 milhões de pessoas acima de 60 anos inadimplentes até abril de 2025, um aumento de 43,16% desde 2020, impulsionado pela falta de planejamento orçamentário e endividamento excessivo.
Porque proteção financeira é proteção de Direitos
Autonomia financeira também é sinônimo de segurança para pessoas idosas. Elas ficam mais vulneráveis à violência patrimonial, aos abusos financeiros e aos golpes. Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), nos primeiros quatro meses (janeiro a abril) de 2025 foram registradas 65.488 denúncias de violações de direitos humanos contra idosos, um aumento de 38% em relação ao mesmo período de 2023, o que reforça a urgência de informação, redes de apoio e canais acessíveis.
Porque empreender na maturidade é uma possibilidade real
Muitas mulheres querem (ou precisam) gerar renda na terceira idade, seja para realizar um sonho adiado, seja para complementar a renda. O Sebrae destaca que o empreendedorismo na terceira idade pode acontecer por oportunidade e por necessidade, e que a experiência acumulada pode ser um fator favorável quando há planejamento e capacitação.
Porque a cultura é método: aprender com a voz, com o corpo e com as mãos
Este projeto escolheu um caminho: unir educação financeira e empreendedorismo com economia criativa e linguagens artísticas. Quando uma mulher canta, cria, borda, encena, ela não está “só fazendo arte”. Ela está treinando presença, construindo autoestima, fortalecendo vínculo e transformando conhecimento em prática. A cultura aqui é caminho e ponte.