Documentário do Instituto Defesa Coletiva denuncia a violência financeira contra aposentadas brasileiras
Sim, não ou confirma? Essa simples pergunta é sinônimo de pesadelo para as pessoas idosas.
No Brasil, a cada dez minutos, um idoso é vítima de golpes bancários, muitos deles envolvendo empréstimos consignados fraudulentos. Em grande parte desses casos, a contratação é realizada por telefone, o que é vedado pelas normas do INSS.
Além disso, as informações não são passadas de forma clara para o consumidor, omitindo-se juros, tempo de pagamento e o tipo de empréstimo, o que fere o Código de Defesa do Consumidor.
Se de um lado as vítimas, sobretudo pessoas idosas, sofrem com o superendividamento e as consequências negativas financeiras e psicológicas, de outro, os cinco maiores bancos do país lucraram cerca de R$ 107 bilhões, em 2022, segundo o Dieese.
Para denunciar esse cenário cruel e inaceitável, o Instituto Defesa Coletiva produziu o documentário “Sim, não ou confirma?”, uma obra inédita que revela a dura realidade das aposentadas brasileiras vítimas da omissão do INSS e da Dataprev na fiscalização dos empréstimos consignados.
Em meio ao escândalo dos descontos indevidos em benefícios previdenciários, o filme escancara como a falta de regulamentação no sistema de crédito consignado tem gerado lucros bilionários para bancos, enquanto compromete a saúde física, mental e financeira de milhares de idosas no país.
Mais do que números, “Sim, não ou confirma?” traz rostos e vozes de vítimas reais. São mulheres aposentadas que, ao compartilharem suas histórias, revelam a face cruel de um problema que cresce silenciosamente: empréstimos nunca autorizados, mas cobrados mês a mês, em um ciclo de endividamento que rouba dignidade e esperança.
Um lançamento especial em Belo Horizonte
O filme terá sua estreia oficial no dia 1º de outubro de 2025, às 9h30, no Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, em um grande evento que reunirá:
• as protagonistas da obra;
• mulheres participantes dos projetos sociais do Instituto Defesa Coletiva;
• colaboradores que constroem diariamente essa luta;
• e autoridades engajadas na busca por soluções para esse grave problema que afeta milhões de famílias brasileiras.
A data foi escolhida de forma muito especial: 1º de outubro é o Dia Internacional da Pessoa Idosa, momento dedicado à valorização dos cidadãos da terceira idade e à proteção dos seus direitos.
O documentário “Sim, não ou confirma?” e toda a atuação do Instituto Defesa Coletiva contribuem diretamente para o objetivo dessa celebração: conscientizar a sociedade sobre a necessidade de medidas urgentes contra a violência financeira sofrida pela população idosa!
Ao denunciar os descasos dos órgãos que deveriam proteger os idosos e o sistema que lucra em cima da dor dos mais velhos, o Instituto Defesa Coletiva reforça seu compromisso com a missão de dar voz aos hipervulneráveis, efetivar a cidadania e construir uma sociedade mais justa, equilibrada e sustentável.
A arte como instrumento de informação e acesso a direitos
O Instituto Defesa Coletiva acredita na arte como instrumento de transformação e de acesso a direitos.
Antes de “Sim, não ou confirma?”, já produzimos outras obras audiovisuais que abordaram o tema do superendividamento e denunciaram o impacto devastador que as práticas abusivas do crédito consignado têm na vida dos aposentados, como o documentário “Covardia Capital”.
Essas produções ajudaram a ampliar o debate público e a mobilizar sociedade civil, imprensa e autoridades em torno da urgência de enfrentar esse grave problema social.
Assista às nossas outras produções audiovisuais:
Muito além do cinema
As produções cinematográficas fazem parte de uma estratégia ampla do Instituto Defesa Coletiva para combater as fraudes no consignado. Por meio do audiovisual, damos voz às vítimas de um problema tão sério, tornando visível uma dor que muitas vezes é silenciada.
Esse filme é um dos resultados do Projeto Educação Financeira e Empreendedorismo Feminino na Terceira Idade, que leva informação, cultura e direitos para cidadãos em situação de hipervulnerabilidade.
O Projeto foi realizado em parceria com a Prefeitura de Contagem, em Minas Gerais, e já foi executado em outras cidades do Brasil.
Além disso, o Instituto Defesa Coletiva também atua em outras frentes:
• promove a articulação acadêmica, corporativa e legislativa, buscando mudanças estruturais que coíbam as lesões em massa no sistema de consignados;
• ajuíza ações civis públicas, cobrando na Justiça o cancelamento de operações de crédito ilegais e o ressarcimento das vítimas de empréstimos fraudulentos.
O Brasil precisa assistir “Sim, não ou confirma?”.
Mais do que um filme, é um chamado à ação contra o descaso e a violência financeira sofrida por pessoas idosas.